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01-02-2010 - 'Dep. de Comunicação - UNEC'


HAITI: Deus, certamente, teria alvo melhor!




• Eugênio Maria Gomes






Nas últimas semanas vimos acompanhando tudo o que acontece no Haiti, a tragédia que se abateu sobre aquele povo, residente na área do epicentro de um terremoto, que dizimou milhares de vidas e que, ainda, dizimará outros milhares, em função de suas tristes consequências.



É certo que, ultimamente, muitos têm evitado, até, de ouvir falar sobre o assunto. Menos por insensibilidade, mas sim, por se verem livres do sofrimento, impotentes, face aos inacreditáveis cenários que se sucedem a cada instante, envolvendo a vida e a morte daqueles nossos irmãos.



Mas foi escutando o comentário: “Isso é desígnio de Deus, Ele sabe o que faz”, que resolvi falar sobre o assunto, sem nenhuma profundidade teológica, até porque, não a tenho, mas, sob a ótica do que penso e sinto sobre o assunto, especificamente, sobre a fatalidade ocorrida na cidade de Porto Príncipe.



Não posso acreditar na crueldade de Deus...



Não consigo imaginar um Deus que, aproveitando a miséria daquele povo, moradores do país mais pobre das Américas, com baixíssimo índice de desenvolvimento humano, com milhões de negros famintos, desnutridos e aidéticos, resolvesse, cruelmente, lhes mandar um terremoto, atingir praticamente um terço de seu território e, assim, coroar uma tragédia que já lhes é presente, todo o tempo.



Não posso acreditar na futilidade de Deus...



Não consigo imaginar um Deus que, em não tendo o que fazer, resolvesse mandar um terremoto, apontando o dedo sem olhar para onde, dizimando com o seu ato, quase a metade da população de um povo sofrido, sobrevivente e descendente de governos, sucessivamente ditatoriais, remanescente de uma dolorosa e sangrenta guerra civil, comandado por forças militares internacionais e gerido pela boa vontade e pelas estratégias políticas de outros países.



Não posso acreditar na falta de pontaria de Deus...



Não consigo imaginar um Deus que, depois de verificar o mal que gostaria de extirpar da civilização, preparasse o seu castigo, colocando-o na ponta da flecha divina, posicionando-a no arco celeste, o acionasse e... ERRASSE O ALVO! Se assim ocorresse, fico imaginando a tristeza de Deus ao perceber que dizimou, equivocadamente, aquela gente e que, de quebra, matou nosso anjo das crianças pobres, doentes, desamparadas, condenas à morte prematura, chamada Zilda Arns...



Não, Deus não é cruel, não é fútil e nem ruim de pontaria!



Acredito que, o que ocorreu no Haiti, foi uma fatalidade, a partir de um acontecimento natural que já estava previsto e que, ainda, ocorrerá em diversas outras localidades do globo terrestre. O terremoto aconteceria lá, existissem ou não pessoas morando lá, mesmo que fossem ricas e poderosas, brancas ou amarelas, católicas ou integrantes de qualquer outra crença, assim como ocorreu com os pobres negros haitianos.



Os mortos do Haiti estavam, enquanto vivos, no lugar errado, na hora errada.



Mas acredito em Deus, nos seus desígnios, na sua sempre boa vontade. No Deus de amor, que perdoa, que acolhe, ajuda e protege. Como imaginar sobreviver a esse momento sem a confiança em Deus? Como assistir a tudo isso sem a certeza de que Deus acolherá as dores, curará as feridas, alentará no sofrimento e fortalecerá a todos na reconstrução, no reinicio da caminhada?



Assim como não acredito em um Deus cruel, punitivo, vingativo, também não poderia deixar de imaginar que, se assim Ele o fosse, saberia escolher melhor seus alvos.



Que tal uma ilha, onde estivesse ocorrendo uma grande festa, cuidadosamente preparada para convidados especiais, de todo o mundo, detentores das habilidades dedicadas à corrupção, à desonestidade, ao engodo, ao mau-caratismo, à prática dos crimes hediondos, aos enganadores da fé pública, ao que praticam todos os tipos de atos que ferem e matam inocentes, para ali Ele apontar seu certeiro dedo e enviar um terremoto?



Deus também não faria isso...



Ele tem mais o que fazer, mas nos concede a graça de saber separar o bem do mal, o certo do errado, o justo do injusto e, além de tudo, nos permite decidir nossas escolhas, bem como, nos concede o dom de entender e aceitar os seus mistérios...



Mas que a tragédia do Haiti, assim como as nossas tragédias urbanas, nos sirva de lição para o entendimento de que, aqui, tudo é muito passageiro e que, os nossos atos, podem ser julgados muito antes do que possamos imaginar.





* Eugênio Maria Gomes é Especialista em Marketing e em Gestão Empresarial, Mestre e doutorando em Administração, Professor e colaborador do Centro Universitário de Caratinga – UNEC. Blog: http://professoreugenio2010.zip.net

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