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26-02-2010 - 'Dep. de Comunicação - UNEC'


Um bem precioso chamado Família!


*Eugênio Maria Gomes




No início da semana recebi um e-mail de uma amiga, encaminhando um texto muito interessante, registrado em slides, sobre a importância da família. Em um dos slides, constava a seguinte inserção: “Entendas que, se morreres amanhã, em questão de dias a empresa onde trabalhas cobrirá seu posto. Mas a família que deixares sentirá a sua perda o resto da vida. Pense nela, porque geralmente nos entregamos mais ao trabalho do que à nossa família. Será que isso não é uma inversão pouco inteligente?”

Bem, a princípio, considerei o registro como mais uma daquelas mensagens “clichês”, destinadas à auto-ajuda ou à propagação de conceitos que se pretendem perpetuar etc. Mas, bastou-me sair da leitura dinâmica e focar, um pouco mais, seu conteúdo, para entender a fantástica mensagem que exalava de cada slide que compunha o texto.

Assim como eu, tenho certeza de que o caríssimo leitor gosta e respeita a família da qual faz parte. A pergunta que me fiz e compartilho com vocês é o tamanho desse bem querer, que deve ser correspondido não através de palavras, mas através da efetiva disponibilidade de tempo, de atenção e de cuidado que dedicamos à família.

Quando surge uma necessidade premente, quando o “carro aperta”, via de regra, todos nós, nos apresentamos, nos empenhamos e socorremos alguém do núcleo familiar. Quando mexem com um dos nossos é como se mexessem conosco. Mas a atenção, a dedicação, que a mensagem trouxe nas entrelinhas, é outra, aquela disponibilizada, também, fora dos momentos graves, tristes ou urgentes.

Você que trabalha fora de casa, independentemente da função ou das realizações que promova com o seu trabalho, já parou para fazer as contas de quanto tempo sobra, efetivamente, para os seus relacionamentos familiares? Se você trabalhar, exclusivamente, de acordo com o que preconiza a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT - dedicará cerca de oito horas diárias, de segunda a sexta feira, e outras quatro horas aos sábados, como forma de completar as quarenta e quatro horas semanais, previstas no contrato de trabalho.

Bem, imaginando que você durma, em média, a quantidade de horas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde – OMS, para uma boa noite de sono, você empregará outras oito horas diárias ao necessário descanso na cama, sobrando-lhe, então, apenas oito horas diárias, de segunda a sexta feira para: Estudar, relacionar-se, fazer eventuais horas extras no trabalho, praticar esporte e lazer, aculturar-se, rezar, namorar, desenvolver tarefas domésticas, eventualmente brigar, aborrecer-ser, cobrar providências em relação à Capela Velório (não poderia perder essa oportunidade), assistir ao seu time jogar (o meu tem perdido sucessivamente para o rival), dentre tantas outras ações além de, é claro, dar um pouco de atenção à sua família, como um todo, lembrando que o conceito de família extrapola a condição dos filhos, maridos ou esposas, mas, considera também os irmãos, pais, avós, tios, sobrinhos e até, a sogra.

Assim, acredito que, nas entrelinhas, o texto enviado pela Ana Bastos, mais que apontar para o fato de dedicarmos mais tempo ao trabalho que à família, sugere uma mudança na qualidade do tempo que disponibilizamos a ela. Quantas vezes não fomos firmes demais, às vezes excessivamente duros com os nossos familiares, depois de sermos impressionantemente corteses com os nossos colegas de trabalho, com os nossos superiores, com os nossos comandados, com os nossos clientes? Uma indicação para tratá-los de forma diferente? Não! Uma sugestão para aprimorarmos esse tratamento dado a terceiros quando o próximo for um membro do grupo familiar.



Outra questão para qual a mensagem me despertou foi para o fato de termos tempo para tudo, de fazermos nossos “arranjos” para os estudos, para o trabalho, para o lazer, para os amigos, para os amores, dentre tantos motivos para os quais damos um jeito de fazer com que aconteçam quando, quase sempre, arranjamos desculpas, impomos dificuldades, encontramos justificativas para deixarmos de viver e conviver em família, facilitando o costumeiro NÃO que costumamos oferecer àquelas questões familiares que consideramos pequenas, menores, sem importância, quando a comparamos com as “grandes e importantes” decisões advindas do trabalho, do lazer, dos estudos...

As necessidades do Homem são muitas. Para que nos sintamos realizados, nossa vida deve ser plena, integral. Precisamos trabalhar, produzir, não só para auferir nosso sustento, mas também para nos sentirmos úteis à sociedade; precisamos estudar, alargar nossas fronteiras intelectuais; precisamos amar, precisamos ter um par! Precisamos descansar, cuidar da alma! Precisamos também, cuidar dos nossos, do nosso sangue, daqueles que compartilham conosco laços fortes e poderosos de história e genética! Tudo é igualmente importante.

Muitas vezes, deixamo-nos levar por essa roda viva a que estamos submetidos dia a dia: Trabalho, trabalho, e em casa, internet e celular, ou seja, mais trabalho... E deixamos de lado outros valores, normalmente, o lazer, o amor e a família...! Vivemos num corre-corre desenfreado em busca de um “não sei o que” imposto por uma sociedade consumista e alienada, e negligenciamos outros tantos aspectos de nossa vida que precisam de cuidado, de atenção, de carinho...

Dentre tudo o que de fato importa na vida podemos destacar o tempo como sendo o mais importante. Se não tivermos tempo perderemos as coisas mais importantes da vida, do carinho de um filho à nossa auto-realização. Quase tudo na vida é efêmero, passageiro, descartável... Exceção para algumas coisas, dentre elas as boas lembranças, aquelas que nos tocam o coração e o coração das pessoas que amamos.

Apenas não podemos nos esquecer de que o tempo é implacável com aqueles que não sabem distribuí-lo entre o que é necessário e o que realmente importa e que faz a diferença em nossas vidas!

Nessa nossa vida louca, louca e breve vida, organizarmos adequadamente o nosso tempo é o segredo para a nossa felicidade! Eu estou buscando esse aprendizado.

* Eugênio Maria Gomes é Especialista em Marketing e em Gestão Empresarial, Mestre e doutorando em Administração, Professor e Pró-Reitor de Administração do Centro Universitário de Caratinga – UNEC. Blog: http://professoreugenio2010.zip.net E-mail: Eugenio.pos@funec.br

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